Quando surgiram os Corretores de Imóvel?

Quando surgiram os Corretores de Imóvel?

Do descobrimento do Brasil às grandes cidades, eles sempre estiveram presentes.

Você sabia que desde os primeiros anos após o descobrimento do Brasil já havia a preocupação de se registrar os imóveis comercializados na colônia? Há registros datados de 1595 sobre o primeiro documento relacionado ao assunto. Tratava-se de uma regra, uma espécie de lei, que regulamentava a compra e venda de propriedades.

Veja: “se for senhor de alguma cousa, e a vender duas vezes a desvairadas pessoas, o que primeiro houver a entrega dela será dela feito verdadeiro senhor, se dela pagou o preço por qual lhe foi vendida ou se houve o vendedor por pago dela, porque concorrendo assim na dita venda, entrega a cousa e paga do preço, o fazem senhor dela.” Essa regra se encontra no livro IV, título VII, das Ordenações do Reino, recopiladas por mandado do Rei Felipe I, em 1595.

Depois do descobrimento do Brasil, o território foi dividido em Capitanias Hereditárias. Esse foi um sistema de administração territorial criado pelo rei de Portugal, D. João III, em 1534. O objetivo dele era o de dividir o território brasileiro em grandes faixas de terra e entregar a administração aos capitães donatários, a fim de fundar vilas e igrejas que catequizassem os indígenas locais, além de servirem como depósito do pau-brasil retirado do país. Isso aconteceu pois a Coroa Portuguesa se preocupava com a criação de cidades para manutenção e defesa do território, além da exploração e da tributação fazendária.

O crescimento de vilas aconteceu apenas após o ciclo da cana-de-açúcar em 1548 – com a instituição do governo geral – ao redor de igrejas erguidas para a catequização dos indígenas e dos depósitos onde era guardado o pau-brasil extraído. Mas nessa época não há registros sobre comercialização imobiliária. O aumento de povoamento nas regiões do país se deu em larga escala após o ciclo da mineração, que trouxe muitos imigrantes e aumento da urbanização, além do deslocamento do eixo demográfico do litoral para o interior.

A profissão do Corretor de Imóveis no Brasil se iniciou nos tempos da colonização, onde as pessoas ganhavam a vida arrumando pousadas para os desbravadores do Brasil e o primeiro corretor de imóveis surgiu oficialmente em 1807. Seu nome era Antônio Armando Mariano de Arantes Costa. Um pouco adiante no tempo, em 1821, surgem os primeiros anúncios de jornal que comprovam a comercialização de imóveis, juntamente com a introdução da imprensa no país. Os primeiros jornais publicados foram O Sentinela e O Tamoio, nos quais são registrados anúncios de imóveis. Outro jornal – o Diário do Rio de Janeiro, periódico mais antigo nos arquivos da Biblioteca Nacional – foi publicado no dia 2 de junho de 1821 e já continha um anúncio imobiliário.

Mas é no século XX que de fato a profissão de corretor de imóveis começa a ser difundida, nessa época ainda com o nome de agente imobiliário. Os primeiros profissionais não possuíam cursos específicos para a função, pois estes ainda não existiam, mas foram sendo criados devido à demanda. E é então, na década de 20, que acontece o primeiro grande boom imobiliário devido à urbanização do país. A cidade de São Paulo, por exemplo, recebeu cerca de 200 mil pessoas, a maioria imigrantes. A partir daí foram fundadas as primeiras vilas destinadas a operários. Nesse período, a cidade cresceu mais de 140%, o que causou um aumento na demanda por habitações.

O primeiro Sindicato de Corretores de Imóveis por sua vez, surgiu no Rio de Janeiro no ano de 1937. Até esse momento, os corretores trabalhavam por conta própria. Já em 1940, os corretores se tornaram um grupo organizado e reconhecido pela sociedade. Nesta década muitos direitos foram adquiridos, mas foi só nos anos 50 que surgiram as primeiras imobiliárias. O primeiro setor com os quais elas trabalhavam foi o de loteamento, para a construção de novos bairros.

Em 1958, mais uma grande conquiste: as mulheres passaram a poder ser corretoras de imóveis, direito adquirido depois de muitas lutas sociais. O número de corretoras naquela época ainda era discreto, mas hoje estima-se que a participação feminina na profissão, que até bem pouco tempo era dominada pelos homens, seja superior a 40%.

Na década de 60, surgiram os conselhos regionais do estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Pernambuco, e em 1981 o Colibri foi estabelecido como símbolo da classe dos corretores de imóveis. Essa escolha foi feita pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) devido à algumas semelhanças entre os dois, já que o Colibri é considerado um “intermediador na natureza”. Ele costuma voar em torno de cada flor para extrair somente o essencial, contribuindo para o ciclo da natureza. O corretor por sua vez, tal qual o Colibri, busca novas oportunidades de concretizar negócios e ajudar famílias, contribuindo para o desenvolvimento da sociedade.

Um dado muito interessante é que os primeiros corretores eram pessoas de confiança das famílias, consultores que não mediam esforços e distância para atender bem seus clientes. Eram chamados de “corretores de bons negócios”, atividade que exercem até hoje.

A regulamentação da profissão se deu no dia 27 de agosto de 1962, data na qual se comemora o Dia Nacional do Corretor de Imóveis. O senador Auro Moura Andrade, presidente do Congresso Nacional na época, promulgou a lei 4116 que, inicialmente, deu reconhecimento à essa atividade profissional. Mas o fato interessante é que essa lei foi considerada inconstitucional pouco tempo depois. O respaldo legal definitivo só foi concedido pela Lei nº 6.530 de 12 de maio de 1978, sancionada pelo presidente Ernesto Geisel que, em função disso, recebeu o título de Corretor de Imóveis Emérito. Coisas de Brasil…

Fato é que, desde o início de sua trajetória, a profissão cresceu exponencialmente e conquistou espaço e importância na prática recorrente de negociações imobiliárias. Atualmente, negociar qualquer imóvel, seja para vender, comprar ou alugar, sem a presença de um corretor de imóveis credenciado é arriscado e pode gerar muita dor de cabeça.

Fontes:
• Historiadobrasil.net
• Cofeci.gov.br

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