O que você precisa saber sobre economia doméstica e mercado imobiliário

A economia doméstica e o mercado imobiliário têm uma relação íntima no que se refere à variação de valores dos imóveis. Entenda mais sobre esse assunto em nosso artigo.

A economia doméstica é um ponto bastante antigo da sociedade humana. Desde os tempos da Revolução Industrial, na Inglaterra do final do século XVIII, a sociedade começou a se organizar em famílias menores, morando nas mesmas casas a fim de obter um aumento na qualidade de vida. Com isso, o governo passou a investir mais em infraestrutura urbana – também devido ao êxodo rural por conta da industrialização – e em novas moradias. Isso não aconteceu da noite para o dia em absolutamente nenhum país, inclusive o Brasil.

Aqui, em especial no sudeste brasileiro, a industrialização também modificou a sociedade e a forma como morávamos. Com a Revolução Industrial, mesmo que tardia, o Brasil começou a se urbanizar – um tanto quanto descontroladamente – e a criar novas moradias, pavimentação, entre outras melhorias de urbanização. Além disso, a sociedade à época criou mecanismos amplos para organizar a economia doméstica, o mercado imobiliário – ainda pouco evoluído para um país da nossa dimensão – e a evolução dos imóveis nas cidades.

Na década de 40 e 50, com a consolidação do processo industrial e do surgimento de eletrodomésticos, começamos uma nova era de consumo, na qual a regra era: para viver tranquilamente é preciso comprar eletrodomésticos para facilitar seu dia a dia e ter mais tempo para a família, para os amigos e para a vida em geral. Com essas novas necessidades, além dos automóveis que também entraram para o imaginário humano, criou-se a preocupação em economizar energia elétrica, por exemplo.

Essa nova estrutura social também criou novas necessidades e novos espaços para trocas comerciais. Das mercearias e armazéns passamos para os supermercados e varejões – a feira livre resistiu bravamente até hoje, por algum milagre. Com esses novos espaços, as pessoas começaram a se preocupar também com a economia no supermercado, entre tantas outras formas de economizar o dinheiro do mês. Essas estratégias de economia são denominadas economia doméstica e elas estão intimamente ligadas ao mercado imobiliário. Vamos entender o porquê.

Um exemplo prático e bastante claro de como a economia doméstica afeta diretamente o mercado imobiliário é o das áreas nobres em cidades. Algumas cidades, possuem zonas mais nobres, com bairros mais abastados. Isso significa que mais pessoas ricas estão morando nestes bairros e a concentração de dinheiro é maior naquela área. E com uma concentração de riqueza maior em uma área, os estabelecimentos conseguem trabalhar com preços maiores na hora de vender seus produtos e serviços.

Com isso, alguns aluguéis comerciais também passam a ficar mais caros com o passar do tempo. Essa valorização toda de uma determinada área da cidade pode ter razões diretas ou indiretas. Diretas se for o caso de uma intervenção municipal ou da iniciativa privada com a construção de prédios, shoppings ou outras construções que valorizam a área. Indiretas no caso de uma valorização por melhorias públicas que já aconteceriam de qualquer forma e acabaram otimizando o bairro ou a zona em questão.

A economia do país afeta diretamente o mercado imobiliário

O corretor imobiliário que realmente gosta da profissão e entende a importância dela para a sociedade, já entendeu a frase acima há muito tempo. O mercado imobiliário tem relação direta com a economia do país e também com a economia doméstica. E por serem tão interligadas, a economia do país acaba se tornando o termômetro do mercado imobiliário, ou seja, se a economia estiver em alta, por consequência os riscos estarão menores e o consumidor terá muito mais segurança para adquirir ou trocar de imóvel. Agora, se a economia estiver retraída, os riscos e os juros estão em alta e vai ser o momento de vacas magras para o mercado imobiliário e para quem trabalha nele.

Isso porque sem emprego e sem renda – coisas comuns em períodos de crise econômica com a que vivemos nos últimos anos – as pessoas diminuem ou para de consumir e o sonho da casa própria – antes o principal deles – agora é deixado de lado já que é preciso atender as necessidades básicas primeiro. Como afirmamos, os juros também acabam tendo forte poder sobre o setor. O corretor de imóveis precisa conhecer e dominar números, taxas e índices do setor, para não só orientar melhor os clientes, mas também para direcionar melhor o negócio, desde a primeira abordagem até a conclusão da venda.

O bom corretor vai muito além disso, inclusive. A iniciativa dele coincide com pesquisas de segmentos por renda, índice de inadimplência e endividamento, ritmo de formação de novos casais nas cidades, no estado específico e no país como um todo, qual o volume de crédito disponível para o setor imobiliário, se imóveis usados continuarão financiáveis através dos bancos e até mesmo as perspectivas de evolução do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Respondendo mais a fundo sobre como a economia do país impacta no mercado imobiliário, nos últimos anos, por exemplo, foi necessária uma mudança drástica do governo no que se refere ao programa Minha Casa Minha Vida. Antes, ele era voltado apenas para famílias de baixa renda, mas agora teve seu direcionamento ampliado para atender famílias com renda mais alta. As taxas de juros são diferenciadas, bem como as formas de pagamento para possibilitar a aquisição.

O governo precisou definir algumas estratégias novas para que os imóveis novos ganhassem a atenção de novos donos. E, ao mesmo tempo, ofereceu condições especiais que estimulam a movimentação de dinheiro pela população. Um exemplo prático disso é o uso do FGTS para comprar imóveis, que também foi estimulado.

Mercado imobiliário reaquecido

A velha máximo – a demanda dita ofertas e descontos  – serve muito para a realidade do mercado imobiliário. A estabilidade da economia do país possibilita uma avaliação aprofundada e realista do fluxo de demandas no mercado imobiliário. Quando estamos em crise, por exemplo, os preços determinados não tinham saída e as construtoras não podiam trabalhar com ofertas, descontos e promoções.

Este ano, com o recente aquecimento do mercado, essa realidade já mudou. A perspectiva é de lucro para quem investiu e tem investido no mercado imobiliário, mesmo que algumas imobiliárias tenham sido afetadas por mínimas históricas até 2015. Com essa recuperação em 2018, os valores dos imóveis têm voltado aos seus números normais.

Conclusão

A economia doméstica tem participação ativa dentro da realidade do mercado imobiliário, seja por conta de mudanças estratégicas do governo, que cria novos programas de crédito para a população adquirir novos imóveis ou comprar imóveis usados, seja por conta da diminuição da taxa de juros, que tem impacto direto na economia como um todo, inclusive a de consumo básico, o que ajuda a população a ter mais dinheiro para fazer novos financiamentos e realizar o sonho de adquirir um imóvel em seu nome.

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